quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

A Morte de Dona Marisa e a Erupção de Ódio no Brasil

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Quem aguenta essa erupção de ódio no Brasil?

Essa gente hipócrita, mentirosa e covarde, com a cara lavada fingindo ser Deus.

Decidindo com a boca suja de maldizeres quem merece viver e quem merece morrer. Quem vai para o céu e quem vai para o inferno. Quanta arrogância!

Comemorando velório, linchamento e tortura.

Quem são vocês? Esse Deus que vocês dizem acreditar certamente choraria com essa existência tão tacanha e violenta.

Gente mal amada! A verdade é essa. Mal amada.

É desamor. Falta amor. Falta realização. Poços de frustrações cavados embaixo dessa terra de satisfações descartáveis e instantâneas.

Gente que baba ódio pelo canto da boca. Que despeja nos outros o ressentimento pela própria vida amarga. Gente apegada num monte de bosta que a propaganda repete ser importante.

Gente que tem o hálito de urubu porque carrega no fígado o chorume. Porque tem a língua suja e a ponta dos dedos podres de tanto teclar violência.

Até quando vamos nessa toada?

Já conseguiram tudo. Já deram o golpe. Já têm o Brasil de volta. O Brasil obscenamente de joelhos. Já estão sendo restauradas as velhas hierarquias. Quem manda e quem obedece. Já têm milhões de pessoas fazendo fila no quarteirão para aceitar o salário que der. Pronto! Já estão todos humilhados e chorando aceitando qualquer emprego. Sim, aqueles que vocês reclamavam por não estarem mais dispostos a servir sob qualquer condição. Aqueles que eram os vagabundos que não queriam trabalhar. Aqueles que ocupavam desagradavelmente seus lugares preferidos. Pronto! Ninguém mais precisa pagar o pato. Essa massa de trabalhadores está agora contribuindo patrioticamente com a baixa da inflação, pois seu "poder de compra" não causa mais "pressão inflacionária". Agora é tudo de vocês. O que mais vocês querem?

É preciso desejar a morte do próximo?

Quem aguenta tanto ódio?

A Dona Marisa não aguentou. Trabalhadora humilde, certamente estará num lugar melhor do que esse.

Depois de tanta luta, de fazer tanto pelo Brasil, estava na iminência de ser encarcerada. Mesmo sem ser política. Mesmo vivendo uma vida simples.

Assim como Eva Perón jamais foi perdoada pela oligarquia argentina por ter sido pobre, por ter sido uma filha não reconhecida "fora do casamento" da santa igreja, por ter se aventurado sozinha na cidade grande, por ter sido atriz, quando isso era "coisa de puta" e, principalmente, por Evita ter vencido na vida e jamais ter mudado de lado. Por ter sido fiel a sua origem social. Evita não suportou tanta violência. Embora tenha lutado sempre com valentia, seu corpo sentiu os efeitos do ódio de classes. Nos últimos dias de sua vida, os muros de sua residência amanheceram pixados com a frase: "Viva o Câncer!".

Da mesma forma, as oligarquias brasileiras e certa parte da classe média servil, cafona e burra que se esfrega gostosamente no opressor e esmaga os mais fracos, jamais perdoaram essa "lavadeira" de São Bernardo do Campo por ter superado todos os obstáculos e estado ao lado de seu marido, retirante nordestino, no posto mais alto da nação, sendo o um dos maiores presidentes da nossa história. Jamais aceitariam a Dona Marisa vencer.

Aceitam de bom grado a bela, recatada e do lar. Ainda que seja tudo uma mentira, porém, uma mentira ideal. Pois é muito mais fácil se projetar como Marcela do que se reconhecer como Marisa. Pior, se sentir menor que a Dona Marisa é o terror para muitas dondocas, ou metidas a dondocas e também aos "dondocos".

E a Dona Marisa não se curvou. Foi ela mesma. "Simprona de tudo". Não caiu de joelhos, como alguns gostariam, em reverência à "chiqueza" dessa high society banal.

Como Dona Marisa ousou desfazer de tudo isso que muitos acreditam ser tão importante?

Passar pelo posto de primeira dama e depois voltar para o apê em São Bernardo, ir fazer piquenique com o marido carregando o isopor na cabeça e descolar um pedalinho pra brincar com o seu neto em Atibaia.

Sim, nessa sociedade tão hierarquizada, vertical e baseada no prestígio pessoal é imperdoável. Dona Marisa mesmo sem fazer um discurso sequer, subverteu o psicológico dessa nação. Cavucou em tudo aquilo que há de mais tacanho e feio no Brasil.

Não por acaso a erupção de ódio dessa gente careta e covarde.

Essa gente que aceita de bom grado a miséria, a injustiça e, permitam-me dizer, aceita sim de bom grado a corrupção, desde que ela seja praticada pelos velhos senhores, desde que venha de quem está em cima da pirâmide social. A Lava Jato prova isso a cada dia.

À propósito, não posso terminar esse texto sem dizer uma frase em homenagem à Dona Marisa:



ENFIEM SUAS PANELAS NO CU!

sábado, 26 de novembro de 2016

A Grande Aventura de Fidel Castro

Quem aprendeu a amar o Comandante Fidel Castro sente no peito a perda de um pai.
Fidel não era apenas um político, um chefe militar, um presidente. Fidel foi um exemplo de homem. Um revolucionário. Fidel foi também um líder existencial. Um camarada. Alguém que nos faz refletir a cada dia o que queremos como indivíduos. Que podemos ser muito mais do que uma vidinha jogada no universo. Que podemos ser homens e mulheres protagonistas do nosso tempo e com condições de transformar o mundo, mover a história, fazer muito mais do que aceitar as injustiças como algo naturalizado e comum.
É difícil para muitos entender o amor do povo por Fidel. Ainda mais nos dias atuais. Vivemos uma era de culto ao individualismo. De idolatria à satisfação pessoal e íntima. Ao consumo. Como entender o amor por Fidel se a cada dia a humanidade é levada a odiar o público e a amar o privado? Como entender o amor por Fidel nesses dias em que a atividade política é criminalizada? Em que o mundo idolatra empresários, homens de mercado e até fazem deles seus líderes governamentais?
Eu aprendi a amar o Fidel.
Desde jovem. Lia as histórias da Revolução Cubana e me pareciam fantásticas. Sei que não era um adolescente comum. Não me encantaram os super heróis. Eu gostava do Fidel e do Che. Não sonhava em conhecer a Disney. Sonhei durante anos conhecer Cuba, visitar Havana, como depois tive a sorte de fazer em algumas oportunidades.
Honestamente, eu não culpo quem não entende esse amor pelo Fidel. Não culpo, tampouco, quem odeia o Fidel.
São décadas e mais décadas de lixo midiático. De ódio sendo disseminado contra figura de Fidel.
Fidel escapou de mais de 600 atentados contra sua vida. A humanidade não pode escapar da violência do imperialismo. Violência militar, política e midiática, deformando visões de mundo e corrompendo a história.
Fidel também foi odiado porque a coragem de uns revela a covardia de outros e esta coragem parece ser insuportável e subversiva. Quem fez a escolha pela obediência detesta os rebeldes. Quem resolveu aceitar as humilhações cotidianas e se submeteu a tudo esperando a promessa de um bem-estar que só se realiza na hora dos calmantes precisa de alguma maneira se convencer que sua vida valeu à pena. Alguns precisam odiar Fidel para comprovar a si mesmos que sua escolha não foi tão ruim e que sua vida não foi desnecessariamente ordinária. Que sua crença no progresso pessoal não foi em vão. Que aceitar os assédios, as injustiças, os choros cheios de soluço dentro do banheiro também valeram à pena.
Muitas pessoas precisam odiar o Fidel para suportarem a si mesmas. Precisam olhar para Cuba, repleta de carências e precariedades, para convenceram a si mesmos de que vivem repletos de bem-estar.
Claro que Cuba precisa ser odiada. É evidente que todas as dificuldades que vive o povo cubano merecem destaques e manchetes escandalosas. As pessoas precisam do flagelo de Cuba para aceitar com algum conforto nossas misérias cotidianas, nossos milhares de desabrigados, nossas crianças de rua, nossos irmãos tendo que comer lixo, nossas cadeias lotadas, a criminalidade, as pessoas sendo baleadas, nossos jovens envenenados pelo capitalismo, entorpecidos pelo consumismo, a polícia repressora, nossa democracia de faxada.
Como se as carências de Cuba fossem resultado apenas de seus erros internos e não houvesse o papel do inimigo que desde o primeiro dia da Revolução Cubana fez de tudo para destruir o país e desconstruir essa experiência como alternativa para os povos.
Sim, os cubanos gostariam de ter o seu tênis Nike. As meninas gostariam de usar Natura. Como convencer uma mulher do século XXI que ela não precisa de xampu e condicionador? Os meninos gostariam de brincar com seu PlayStation.
Mas o povo cubano conseguiu algo que é muito difícil de possuir. Esse povo tem dignidade! Esse é um povo lindo, com um brilho no olhar que eu temo estarmos nós, povo brasileiro e irmão de alma dos cubanos, perdendo para sempre. Dignidade não se compra no supermercado. São crianças na escola, acolhidas, bem educadas. Quem fica doente não é tratado como bicho. São casas simples, sem luxo nenhum, mas muito dignas. É cada pessoa tendo direito a ter seu lugar no mundo. Sabe o que é você conversar com um jovem que não está infeliz? Que não parece apavorado, envenenado e com medo? Essa é a imagem que eu guardo de Cuba.
Fidel foi um dos maiores homens da história! Para sempre será lembrado.
Sabem qual foi a maior aventura de Fidel?
Não foi pegar em armas para chegar ao poder.
Não foi enfrentar os Estados Unidos durante meio século e sair vencedor.
Sabe o que torna a Revolução Cubana diferente de todas as outras que o mundo já conheceu?
A maior aventura de Fidel foi tentar construir o HOMEM NOVO. Produzir um novo tipo de indivíduo que fosse solidário, verdadeiro, camarada, desapegado das coisas, voluntário, altruísta, generoso, não invejoso, firme, forte, correto, doce, sem medo e com capacidade de manifestar seu amor pela humanidade. De lutar contra as injustiças e, caso necessário, oferecer sua vida pela liberdade de seu povo.
A construção do homem novo. Essa foi a grande e linda aventura. Foi um projeto de Estado. Uma experiência sem igual na humanidade que ganhou um significado mais do que especial como acontecimento nesse país tropical tão lindo. Um lugar para a humanidade se amar. Um espaço de liberdade.
Essa aventura valeu muito à pena!
Ainda que a humanidade tenha se espatifado em alguma esquina da história. Ainda que tenhamos sido definitivamente envenenados. Ainda que estejamos reduzidos a consumidores. Ainda que a humanidade tenha rodado tanto tempo pra terminar como compradores de coisas. Ainda que sejamos irremediavelmente egoístas e individualistas.
Mesmo assim a aventura de Fidel Castro foi linda e valeu muito à pena.
A presença física de Fidel chega ao fim. Mas seu exemplo, seu pensamento e principalmente seus grandes atos acompanharão a humanidade para sempre. De alguma forma nosso Comandante en Jefe, estará sempre conosco.
Viva Fidel!
Hasta siempre Comandante!

terça-feira, 25 de outubro de 2016

Nós somos!


Nós somos tudo aquilo que vocês mais detestam.
Somos aquilo que deixa vocês com medo.
Porque vocês não entendem, não sabem ao certo como enxergamos o mundo.
Não conseguem prever como pensamos.
Isso os apavora.
Não conseguem nos controlar, porque sequer imaginam o nosso próximo passo.
Somos imprevisíveis porque não fazemos parte do mundo de vocês.
Somos mais ameaçadores para os poderosos do que qualquer organização política.
Nós somos a ideia que não tem dono. Somos o pileque que extravasa. Somos o que se fala pelas esquinas. Somos o que anda na cabeça do povão.
Somos o risco que vale à pena. Somos a consciência de classe possível nesse mundo de alienação. Somos o inconsciente coletivo. Somos o empoderamento.
Nós somos a voz de quem não tem voz. Somos um movimento social com trinta milhões de líderes.
Nós somos a anticolonização. Nós somos o clube dos refugiados. Nós somos quem sofreu na seca, nas guerras, no tronco.
Nós somos uma Mesquita que foi bombardeada.
Nós somos o judeu esmagado no campo de concentração.
Nós somos o negro escravizado. Amontoados num navio negreiro ou numa cela de cadeia.
Nós somos a mulher que foi espancada pelo marido.
Somos o pobre espremido no transporte público.
Nós somos a reputação destruída pela mídia bandida.
Nós somos o pai de família que ficou desempregado.
E vocês nos querem com medo. Nos querem humilhados.
Vocês nos querem sem condições de acreditar em nós mesmos.
Por isso nossa vitória ofende tanto vocês! Por isso as nossas glórias acabam por ser desmerecidas.
Por isso a nossa casa "foi dada de presente", num suposto conluio qualquer.
Caras de pau! Justo vocês que roubaram um país inteiro! Que tomaram todas as nossas riquezas e viraram donos de quase tudo aquilo que seria propriedade de todos. Que geraram milhões de miseráveis. Que num país tão grande, com tanta terra, deixaram milhões pessoas vivendo nas ruas ou nos barrancos.
Hipócritas!
Vocês querem, mas não conseguem, dobrar nossa coluna.
Por isso nossos irmãos são torturados por genocidas com credencial para exterminar o povo. Fazem isso todos os dias. No estádio ou na favela. Rastejam vergonhosamente para os poderosos e pisam do pescoço de quem é pobre. Capitães do Mato!
Tudo isso, sob o sorriso cúmplice de quem se faz de santo, mas vive com ódio no coração. De quem diz ser "de família", mas despreza a mãe pobre que chora a perda de um filho. Que ajoelha em nome de Deus, mas é incapaz de sentir amor pelo próximo. Que reza apenas pela própria conta bancária.
Sim, nós somos aqueles que "mereceram apanhar". Somos da turma onde "não tem santo". Somos aquela parte da sociedade que ninguém se importa quando o morro desliza. Somos a senhora negra que não é recolhida pela ambulância. Somos quem não merece advogado. Somos a tragédia que vira estatística. Somos quem "tem mais é que morrer".
Quem conhece nossa história sabe que já nascemos estigmatizados. Foi assim desde sempre.
O desprezo de vocês, apenas nos torna mais fortes.
O ódio de vocês nos faz cada dia mais unidos como irmãos. Como filhos de Deus.
Nossos instrumentos de solidariedade são indestrutíveis.
Sim, nós somos a Fiel Torcida.
Ninguém vai render o nosso amor pelo Corinthians, simplesmente porque nós somos tudo isso que já foi dito, até mesmo quando não sabemos ao certo que somos.
Porque nós não somos matéria. Não somos um corpo físico torturado no Maracanã, nem o concreto do estádio de Itaquera.
Nós pairamos no ar. Nós somos a presença de espírito. Vocês nunca vão nos destruir porque habitamos nas mentes rebeldes e nos sonhos encantados de muitos outros que irão se levantar em seu nome, Sport Club Corinthians Paulista. A nossa casa, a nossa pátria, a nossa família, o nosso mundo.
A nossa vida!
Vai Corinthians!

quarta-feira, 31 de agosto de 2016

Golpe! Foi Golpe!



GOLPE! Foi GOLPE!
Sinto um gosto amargo na garganta. Uma tristeza pelo Brasil. Teremos que passar por mais isso.
Quero agradecer ao Presidente Lula e a Presidenta Dilma por tudo que fizeram pelo Brasil. Redução da miséria extrema. Derrubar pela metade a mortalidade infantil. Só isso já seria o suficiente. São vidas humanas que foram resgatadas.
Mas não foi só isso. O Brasil ganhou dignidade. Passou de uma nação corcunda e submissa para uma potência emergente. Que se apresentou ao mundo com dignidade. Que liderou um grande número de países que sonham com um mundo mais justo e de paz.
Essa nação, ainda escravocrata, por algum momento olhou de verdade para os mais pobres. Fez a opção por aqueles que nunca tiveram vez nem voz. Que foram excluídos e esmagados.
Ainda que para isso tenha sido feito a escolha (certa ou errada - a história dirá) de negociar uma trégua com esta elite atrasada. Essa escolha de costurar alianças com certa parte de elite que, esperava-se capaz de assumir um pacto pelo desenvolvimento do Brasil e passasse a aceitar a inclusão social como condição necessária para que todos pudessem crescer..
Ainda que os interesses das elites tenham sido preservados, no que se refere aos grandes lucros. Ainda que o crescimento econômico e a inclusão de milhões de brasileiros no mercado de consumo tenham garantido ganhos imensos. Que os bancos só tenham aumentado seus lucros indecentes. Nada disso evitou que essa trégua acabasse.
Nada menos que um governo absolutamente servil, essa elite aceita. Nada menos que um governo que se pareça com ela. Nada menos que um espelho desta elite suja e cruel se tolera no Palácio do Planalto. Não tem arrego! Não tem acordo!
Voltemos para os anos 90, pois. Ainda que nosso país se veja atrofiado, desmanchado. Ainda que as indústrias fechem as portas que ainda restam abertas. Sim, ainda que os industriais do "Pato Amarelo" sejam apunhalados pelo novo governo, gozarão com alegria. Ainda que a classe média branca dos grandes centros urbanos brasileiros percam seus direitos, seus empregos, sua possibilidade de aposentadoria, seus apartamentos com varandas gourmet. Ainda que o Brasil entregue seu subsolo, sua chance de um futuro melhor, ainda que o SUS seja desmontado. Nada disso roubará o sorriso dessa gente tola em servir aos velhos senhores e não perder o privilégio, o status social e o protagonismo tão reivindicado desde que a "escória petista" assumiu o poder.
Obrigado, Presidente Lula. Não esquecerei jamais daquela foto em que um menino negro e pobre toca sua barba. E o senhor se deixa tocar. Carregado nos braços pelo pai, o menino se reconhece no presidente. Pode tocá-lo. Pode também sonhar. Saber que é gente. Que pode chegar lá. Que não nasceu apenas para ser escravo. Obrigado, Presidente Lula. Minha vida efetivamente mudou muito. Minha vida e da minha família.
Jamais perdoariam o que o senhor fez de melhor. Jamais perdoariam a eleição de Dilma. Uma guerrilheira que foi a candidata vencedora dos mais pobres por duas vezes. Uma mlher honesta e honrada que não se sobrou diante dos ladrões e aves de rapina. Jamais! Jamais aceitarão que um menino pobre possa sonhar em ser presidente. Querem destruir a sua imagem, justamente porque tentam apagar o que o senhor significa. Não conseguirão! Por muitos anos o senhor se manterá como um símbolo da luta dos mais pobres por dignidade.
Por fim, esse país tão lindo e maravilhoso não merecia estar tão perto dos Estados Unidos da América. Daqui cinquenta anos (ou menos), talvez tenhamos outros relatórios nos dando conta de como esse golpe foi costurado. Talvez tenhamos outros tantos hipócritas pedidos de desculpas dos órgãos de imprensa por apoiar mais uma vez um golpe de Estado.
É duro entrar nessa década sonhando com o futuro de um Brasil mais justo, sem fome e miséria, com desenvolvimento econômico e social e acordar nos dando conta que voltamos a ser uma rebubliqueta de bananas, com quarteladas, tapetões, presepadas e viradas de mesa. Com 54 milhões de votos jogados no lixo.
Da nossa parte, mais valem as lágrimas da derrota por ter lutado por aquilo que acreditamos, do que a satisfação tola de quem sorri diante da tragédia de um país que mais uma vez perdeu a chance de resgatar as vidas humanas que fingimos não ver, sofrendo de fome, miséria e abandono, sem um lugar digno para morar e sem esperança de se sentirem de fato irmãos brasileiros.

quinta-feira, 12 de maio de 2016

O orgulho de ser o perdedor. Somos o sonho de liberdade



Continuamos nos esborrachando na história.

Morrendo pela espada de quem defende o status quo.

Porque as coisas são assim como são e ponto final.

Permanecemos esganados pelas mãos de quem odeia as ideias transformadoras.

Aqueles que outrora consideravam radicais e subversivos os homens e mulheres que combateram a escravidão.

Somos ainda sufocados pelos obscurantistas. Aqueles que precisam alienar o homem sobre a própria existência. Aqueles que tentam nos envergonhar justamente de tudo aquilo que nos torna humanos. Nossos desejos, nossos vícios, nossos fluidos, nossa fisiologia, nossos amores, nossa convivência. Tudo o que nos aproxima de nós mesmos há de ser considerado sujo, imoral, pecado e se possível estabelecido como crime.

Continuamos sendo queimados em fogueiras santas.

Não por acaso o conservadorismo político ajoelha safadamente no genuflexório do conservadorismo religioso.

A liberdade sobre o próprio corpo e a liberdade sobre o próprio espírito são as duas mães lésbicas de todas as outras liberdades. Quem é dono de si mesmo não abre só o corpo, mas abre a cabeça e a mente para novas ideias. Para outros sonhos lindos de liberdade. Quem não ajoelha no milho dos pastores severos, supera os dogmas e o medo do inferno. Não presta mais para ser escravo de ninguém. Questiona hierarquias cosmológicas e terrenas.

Façamos fila pois, para queimarmos em praça pública. A não ser que digamos em voz alta que o universo gira em torno da terra. Que o planeta não é redondo. Que viemos do barro. Que a Eva veio da costela de Adão. Que a miséria sempre existiu e sempre vai existir. Que é normal sair de casa e ver alguém comendo lixo à sua frente. Que devemos assistir milhões de pessoas sucumbindo às pestes e doenças por não pagar a patente do remédio. Que o homem leva um foguete até marte, mas os carros não conseguem andar sem combustível fóssil. Que se gasta trilhões em armas de guerra, enquanto vemos irmãos e irmãs da mesma espécie morrendo desnutridos como caveiras humanas. Tudo isso é normal! Gritemos! As coisas são assim e pronto!

Somos o incômodo do mundo. Os que não aceitam as fórmulas prontas. As malas que não se submetem e não acreditam em soluções simples. Os rebeldes. Não somos os bons filhos. Somos as filhas que vão para onde querem. Por isso precisam nos eliminar para manter a ordem e garantir o progresso. Ordem pra cima de nós todos e progresso em benefício deles poucos.

Quem aceita tudo de bom grado, quem acredita nas promessas como bom gado, quem confia no sistema, precisa necessariamente nos odiar. É preciso nos apagar para acreditar na própria felicidade. Para confirmar que as realizações que custaram tanto são realmente importantes. Que não se traíram tanto assim. Que a angústia que mora no fundo do peito não há de ser nada. Nossa coragem revela uma covardia geral. Por isso precisamos sumir. Por isso nos mandam pra Cuba, pro Nordeste, pra Coréia, pra Rússia, pra cadeia, pro cemitério.

Incomodamos mais do que qualquer governo. Mais do que qualquer partido. Somos o triunfo do Alecrim e a lágrima do Pierrô pelo amor da Colombina.

Somos o esforço humanitário contra a lei do mais forte. Somos o desejo de liberdade. A vontade de independência. Somos contra o imperialismo. Somos contra a opressão. Seguramente haveríamos de ser indesejados por quem aceita a dominação de bom grado e não se preocupa em questionar nada, com medo de perder o mísero privilégio que acredita possuir.

Não temos medo da luta. Questionamos as regras. Por certo que somos inimigos de quem dá as cartas.

Defendemos os Direitos Humanos. Obviamente seríamos detestados por quem aceita e apoia a tortura. Somos xingados todos os dias em horário nobre na tevê, no rádio, no jornal e na internet.

Denunciamos o racismo. Necessariamente haveremos de enfrentar os racistas. Àqueles que acham que o melhor remédio contra a injustiça é fingir que a injustiça não existe. E fiquemos todos falsamente amigos. Alguns com os privilégios. Outros com o chicote, as favelas e a exclusão.

Senhoras e senhores. Permitam-me chama-los de companheiros, camaradas, irmãos e irmãs, amigos e amigas. 
Meus amores.

Não derramem uma só lágrima. Não abaixem vossas cabeças supondo que foram derrotados. Não há do que se envergonhar. Não há porque esmorecer.

Há certas fogueiras onde é bom queimar. Há certas guerras onde é bom tombar. Há certas batalhas onde não há vergonha nenhuma em perder.

Há certas vezes na vida e na história que o melhor mesmo é estar entre os perdedores.

Simplesmente porque seria insuportável para nossa consciência livre estar entre os vencedores. Porque não haveria humilhação maior do que trair àquilo que acreditamos.

Ergamos nossas cabeças. Estejamos mais próximos do que nunca.

“Eles” berram alto. São raivosos. Vivem do golpe porque não convencem mais ninguém. Não tem condições de liderar. Não oferecem nada de novo. Não são alternativa para nada. Tudo que há neles é velho, arcaico e medieval.

A verdadeira evolução possível para os homens é a evolução nas relações humanas. Só haverá futuro possível multiplicando a cultura de paz

Vamos nos perder em boemias criativas. Em amores ardentes. Saiamos dos guetos e ocupemos as ruas, as praças, as avenidas. Joguemos fora todas as arrogâncias. Falemos com as pessoas. Sejam generosos. Aceite carinhosamente quem até outro dia pensava diferente. Vamos dividir o melhor que a gente tem e mobilizar o mundo em tremendas ondas de amor.

quarta-feira, 11 de maio de 2016

O dia que vale por décadas de atraso





Este é o dia que vale por trinta anos. Três décadas de retrocesso.

A redemocratização do Brasil era até então uma história de sucesso. O país melhorou sob todos os aspectos após o final da Ditadura Civil-Militar (1964 – 1985). Ainda que nas últimas três décadas tenhamos taxas absurdamente baixas de crescimento econômico, o Brasil aumentou sua importância relativa na geopolítica internacional e também sua importância econômica global. Os índices de desenvolvimento social foram muito superiores às décadas anteriores, sejam eles no acesso à educação fundamental ou ao ensino superior. Na expectativa de vida, na redução da mortalidade infantil. Na prestação dos serviços públicos. Na estabilização da moeda e na redução da miséria extrema.

Aos trancos e barrancos, no fundamental o Brasil ia bem. Sem superar totalmente as injustiças históricas, sem uma estratégia definida de desenvolvimento econômico e social, sendo reflexo da negociação entre os grandes interesses econômicos e as pressões sociais e políticas que ganhavam força e acúmulo, mas estávamos encontrando nosso caminho.

O mundo passou a enxergar o Brasil como uma potência emergente. Nos reposicionamos de maneira muito interessante na política externa. Ganhávamos o respeito e despertávamos o interesse de quem investia pensando no futuro.

Mas jogamos agora tudo na lata de lixo onde se depositam os livros de história que não serviram para nada.

Com todos seus problemas internos, o Brasil tinha algo que era uma espécie de trunfo para ser considerado uma aposta de futuro. Tínhamos estabilidade política. Uma democracia moderna, repleta de distorções (que agora se revelam como nunca), porém não haviam rupturas drásticas e a ameaça de convulsões políticas e sociais. As instituições democráticas trabalhavam todas livremente. O voto livre e secreto tornou-se universal e o resultado das urnas respeitado.

Já que a direita liberal gosta tanto de falar em “atrair investimentos externos” ou “ambiente de negócios”, vale fazer algumas reflexões.

Tal “ambiente de negócios” certamente não será mais o mesmo daqui por diante.

O fato de o Brasil ser uma democracia estável e até mesmo o fato de um operário metalúrgico ter se tornado presidente, sem que houvesse rupturas no processo político, certamente era decisivo para quem decidiu investir no país.

A direita liberal, com a sanha privatista que possui, deveria fazer uma reflexão. Em geral, os contratos de concessão envolvem duas ou três décadas. A confiança na estabilidade política é decisiva para um “ambiente saudável para os negócios”.

No governo do PT não houve ruptura de um só contrato que este país tenha assinado, ainda que alguns desses contratos tenham sido assinados de maneira espúria na calada da noite. Ainda que para desapontamento das forças políticas de esquerda, todos os acordos foram mantidos. Isso, sem dúvidas, foi de grande estímulo para os investimentos diretos.

No governo do PT houve permanente compromisso com a estabilidade da moeda. Ainda que tenhamos em algum período ligeira alta da inflação – por decisões políticas que também geraram ganhos para o país – não houve descontrole. A inflação foi compatível com os números do Governo FHC, por exemplo.

Ainda que existam interpretações diferentes sobre o papel do Estado na condução, regulação e orientação da atividade econômica privada. Ainda que os liberais sintam-se em condições de “acusar” o governo de intervencionista e interpretar livremente os resultados da atuação do Estado nos resultados econômicos, segundo a visão de mundo que dispõem, não há como dizer que este governo tenha inibido ou se apropriado dos ganhos do setor privado. Todo mundo trabalhou livremente. E ganhou dinheiro.

Houve plena liberdade de imprensa (inclusive liberdade de conspiração). Houve liberdade política. Liberdade de manifestação. Não houve aparelhamento de nenhuma instituição. Não houve mudança na Constituição! Lula não pleiteou um terceiro mandato. Dilma não foi apenas eleita. Foi reeleita pela maioria da população que, mesmo sob o efeito da crise econômica que se iniciava, fez o seu balanço e em sua consciência livre optou por mais um mandato à presidenta. Preferiu Dilma e negou eleger o candidato da oposição, talvez por entender que o que estaria por vir (e agora insiste em surgir), seria uma agenda muito mais crítica e danosa para a população mais pobre.

Quem acreditará que após o Golpe haverá confiança, reconhecimento e estabilidade no próximo governo, se justamente o governo eleito democraticamente foi destituído?

Quem acreditará que o resultado das próximas eleições será respeitado, quando não houve respeito ao voto de cinquenta e quatro milhões de brasileiros, não por acaso, em sua grande maioria, da camada mais pobre da sociedade?

Quem não irá acreditar que retrocederemos a um ciclo de golpes, contragolpes, golpes nos contragolpes, canetadas, tapetadas, carteiradas e assim por diante? Quem desejará investir (me refiro a investimentos sérios) num país assim?

Quem confiará que os contratos serão cumpridos em longo prazo, quando o maior contrato de todos não foi respeitado?

Qual capitalista não sentirá pavor de um próximo governo de esquerda (e sim, estejam certos que ele virá), quando se sabe que mesmo cumprindo todos os acordos, contratos e respeitando os lucros indecentes dos grandes bancos, frutos menos de seus méritos administrativos, mas de uma política de juros promíscua e perniciosa, este governo foi premiado com um Golpe tramado pelo o que há de mais sujo na política brasileira?

Quem acreditará que somente a força policial, a repressão e os crimes de Estado serão suficientes para garantir estabilidade para os “negócios”, quando mesmo os regimes mais detestáveis do mundo não suportaram ao desejo de liberdade de seu povo?

Por fim, qual investidor deste país não sentirá a ausência de um líder político capaz de mediar os grandes interesses das elites, negociando com as demandas sociais em suas diferentes expressões. Sendo que tais demandas não são de nenhum partido ou movimento social, mas de uma população que carrega o peso de séculos de escravidão, exclusão, miséria e abandono? O que fazer quando esse líder que consegue realizar esta mediação social é colocado na cadeia e na ilegalidade política?

Evidentemente, esta é uma derrota dos trabalhadores mais pobres do Brasil. A agenda que será imposta é de desregulação dos direitos e garantias, arroxo, desemprego, recessão e também repressão política.

Mas a luta social é uma necessidade permanente e cotidiana do povo trabalhador. Não há folga. A repressão acontece todo dia nos esculachos diários nas periferias. Nada de novo.

O comodismo político é um luxo que não deveria fazer parte do cotidiano do povo trabalhador. Quando este ocorre, inevitavelmente significa perda e mais submissão. O comodismo e desatenção política se convergem e rápidas e contundentes derrotas.

A parcela mais pobre da população certamente será sacrificada. Porém, o prejuízo histórico não estará restrito aos pobres.

A ambição desmedida. O ressentimento político. O preconceito. A tolice. Tudo isso custará muito caro ao Brasil.

Por hora, é interessante ver como a mentalidade escravocrata e precarização do capitalismo arcaico brasileiro se convergem num atraso que se precipita à política e ao Estado.

A política brasileira, refletida nesse Golpe é a cara da nossa elite: burra, atrasada, cafona, intolerante, egoísta e com uma visão muito estreita e limitada do que está por vir.

segunda-feira, 9 de maio de 2016

Meu Malvado Favorito


"Meu Malvado Favorito!"
É isso que acontece quando passamos por cima da democracia.
É isso que ocorre quando o país abre o precedente que abriu para o Eduardo Cunha. Ficando de joelhos. Permitindo tudo, aplaudindo as tempestades golpistas. Jogando na lata do lixo os ritos, trâmites, normas e processos.
É isso que acontece quando se tortura o regimento e as leis até que elas confessem.
Dá nisso quando se usa a "democracia" contra a própria democracia. Quando passamos a depender das atitudes intempestivas de quem "tem aquilo roxo", de quem é o "malvado favorito", de quem "faz o serviço".
É isso que acontece quando se ganha no grito.
Quando se passa por cima das urnas.
Quando se abre mão das regras comuns e passamos a aplaudir o golpe, porque assim nos convém.
Isso que dá aplaudir a exceção.
O problema de ser o país do Golpe é justamente se tornar o país do contragolpe. Do golpe no contragolpe. Do golpe no contragolpe do golpe.
O Brasil deve ficar assim por um bom tempo (um péssimo tempo).
O país das canetadas. Do juiz que derruba as canetadas. Do Congresso que derruba as urnas, Do tapetão que derruba o Congresso. Das pessoas que aplaudem quando o golpe é contra o candidato em que ele não votou. Do país em que ninguém se suporta. Onde ninguém se entende.
E assim será até que não tenha mais eleições, nem deputados, nem juízes, nem leis e nem nada.
Será a lei do mais forte. Voltaremos definitivamente à barbárie.
Como sempre, controlará a situação quem dispõe das armas.
Vão colocar o trabuco na cara da sociedade até que ela se acalme. Muitos irão aplaudir isso também, se assim for conveniente.
Isso pode funcionar por um tempo.
Até que a raiva se acumule e entremos em erupção. Mas a raiva não é remédio para nada. É a pior das armas.
O problema do Golpe não é derrubar o PT, o PSDB, o PMDB nem nenhum outro partido.
O problema do Golpe é que aquilo que um dia nos convém, no outro nos esmaga. É ninguém respeitar a escolha de ninguém. É o ressentimento correndo nas veias de todos. É jamais existir o consenso.
É assim que querem o Brasil.
Precisam do Brasil paralisado e anestesiado.
Se esse povo soubesse a grandeza do Brasil…
Estaríamos melhor num abraço fraterno, respeitando nossas diferenças.
Mas somos tolos.
Nossa tolice é mais eficiente do que dez mil bombas!